Projeto contra discurso de ódio digital a mulheres é analisado no Senado.

Projeto contra discurso de ódio digital a mulheres é analisado no Senado.

Projeto no Senado Cria “Botão de Pânico Digital” para Mulheres em Risco na Internet

Brasília, DF – Com o início do ano legislativo em 2026, o Senado Federal dá prioridade a iniciativa inovadora: o Projeto de Lei 2/2026, do líder do governo, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), que propõe uma Política Nacional de Combate ao Discurso de Ódio contra Mulheres no ambiente digital. A iniciativa busca criar um ecóximo online mais seguro através de medidas técnicas e penalidades específicas para plataformas.

Foco em Ferramentas de Proteção Imediata

O projeto estabelece dois mecanismos-chave de resposta rápida a ataques virtuais:

  1. Modo de Segurança (“Botão do Pânico Digital”): Acionável pela vítima em situações de risco iminente ou ataque coordenado. Este recurso bloqueia automaticamente interações de contas não seguidas pela usuária e reter grandes volumes de interações num período curto.
  2. Acesso Delegado de Emergência: Permite que uma pessoa de confiança assuma temporariamente o gerenciamento das configurações de segurança e moderação da conta da vítima.

Base em Dados Alarmantes sobre Violência Digital

Randolfe Rodrigues justifica a urgência do projeto com dados recentes do Instituto DataSenado. A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher (2025) revela:

  • 10% das mulheres já sofreram violência digital.
  • Casos de sextorsão dobraram desde 2023.
  • O senador aponta a crescente sofisticação das agressões digitais: assédio (moral e sexual), vazamento de íntimas, perseguição, exposição de dados, golpes emocionais e uso de IA para criar deepfakes pornográficos.

Homenagem às Vítimas e Extensão às Plataformas

Caso aprovado, o projeto poderá denominar-se Lei Ivone Tainara, em memória de Tainara Souza Santos e Ivone dos Santos, vítimas de feminicídio no final de 2025/início de 2026.

A proposta abrange todas as plataformas com presença no Brasil: redes sociais, serviços de vídeo, fóruns, blogs, comunidades virtuais e jogos online. Exige que estas empresas mantenham sede e representação nacional. Têm 180 dias para implantar sistemas inteligentes de detecção e moderação de conteúdos ofensivos e violentos, combinando IA, triagem humana e relatos de usuários, com encaminhamento às autoridades quando necessário.

Penalidades para Plataformas que Lucram com Ódio

A iniciativa inclui sanções severas para empresas que não cumprirem as normas:

  • Desmonetização de canais e conteúdos: Por até 5 anos em casos de disseminação de discurso de ódio ou violência contra mulheres. Randolfe destaca que 80% desses canais lucram com o ódio, algoritmos priorizando o ultraje para engajamento e radicalizando jovens.
  • Outras medidas obrigatórias:
    • Combate a contas falsas e robôs.
    • Exibição de avisos explícitos para conteúdos sensíveis.
    • Armazenamento por 3 meses de registros de envios em massa.
    • Remoção de conteúdo e banimento de usuários após triagem.
    • Criação da Autoridade Central de Notificação.
    • Instauração do Cadastro Nacional de Bloqueio de Conteúdos Violentos contra Mulher.

O projeto representa uma resposta estrutural à crescente violência digital que transforma o ambiente virtual em uma “terra de ninguém” para as mulheres, buscando equilibrar liberdade de expressão com a proteção fundamental contra danos e agressões.

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