Paisagismo em Divino Alcan levanta diálogos entre memória e resíduos em manifesto vivo do Tocantins

Paisagismo em Divino Alcan levanta diálogos entre memória e resíduos em manifesto vivo do Tocantins

Arte com Resíduos: Divino Alcan Transforma Casa Arlê na Bienal e Eleva a Identidade do Tocantins

No vibrante cenário do Parque Ibirapuera, durante a Bienal de Arquitetura Brasileira, o Tocantins conquista destaque com uma intervenção que transcende o tradicional. O artista Divino Alcan assina o entorno da Casa Arlê, propositalmente deslocando o foco do concreto puro para a profunda experiência humana e territorial.

Mais que um projeto de paisagismo, a criação de Divino Alcan é uma poderosa declaração cultural e sustentável. Incorpora esculturas, instalações e elementos construtivos, todos criados a partir de resíduos sólidos da natureza e da construção civil. Esses materiais descartados ganham nova vida, dialogando intensamente com a identidade, memória e o desenvolvimento econômico do Estado.

“Não é só paisagismo. É uma forma de mostrar que o que muitos descartam pode contar quem nós somos”, enfatiza Divino, que utiliza esses recursos ecologicamente corretos como matéria-prima essencial para suas criações. No projeto da Bienal, elementos desses resíduos transformados interagem de forma harmônica com a arquitetura da Casa Arlê, concebida por Marcus Garcia.

A instalação mergulha na história de Arlê, mãe do arquiteto e figura central da narrativa. Chegando a Palmas em 1989, quando a capital ainda era um canteiro de obras, sua trajetória inspira um projeto que estende o discurso arquitetônico para o espaço externo. Divino insere uma camada simbólica, conectando habilmente o passado, o presente e o futuro do território.

“Quando a gente fala de Tocantins, fala de um estado jovem, mas com uma força produtiva enorme. O agronegócio, por exemplo, tem transformado territórios e impulsionado o PIB, mas isso precisa caminhar junto com responsabilidade social e ambiental”.
“Meu trabalho na Bienal é traduzir isso em linguagem sensível”, pontua o artista, destacando a sustentabilidade como pilar.

Reconhecido por moldar a estética do Jalapão através de projetos marcantes como a Pousada Águas do Jalapão, a Pousada Bela Vista e a Akroá Pousada, Divino Alcan imprime ao trabalho uma lógica de beleza funcional e comunicação visual. Na Bienal, essa abordagem se amplifica radicalmente.

Inserido no espaço dedicado ao Cerrado, o projeto do Tocantins une arquitetura, artesanato e economia criativa. Peças originárias de comunidades locais como Mumbuca e Taquaruçu reforçam uma premissa crucial: a cultura local é, simultaneamente, uma expressão simbólica do cerrado e uma estrutura sólida de geração de renda.

A Casa Arlê funciona como eixo narrativo central. Transforma-se em um percurso sensorial, traduzindo o modo de habitar do Tocantins mediante texturas, luz e memória.

“Nossa intenção é que o paisagismo, que atua ao redor da estrutura, levasse uma extensão desse discurso. Nosso estado é um território vivo onde resíduos se tornam linguagem e o cotidiano pode sim se transformar em estética. A arquitetura precisa falar de gente”, resume Divino Alcan com convicção.

A intervenção do artista na Bienal de Arquitetura Brasileira não apenas adorna o espaço; eleva a narrativa sobre o Tocantins, demonstrando como arte sustentável, memória coletiva e força produtiva podem se fundir em uma experiência estética poderosa e profundamente humana.

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