Projeto Inovador Fortalece Saúde Mental e Inclusão Social em Palmas Através da Leitura
Uma iniciativa transformadora uniu o poder da literatura, o engajamento universitário e o acolhimento para impulsionar o Clube do Livro do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS II) em Palmas. A ação, realizada na terça-feira, 6 de outubro, no CAPS II localizado na Quadra 804 Sul, exemplifica a sinergia entre arte, educação e bem-estar.
O projeto de extensão, intitulado “Fortalecimento do Clube do Livro do CAPS: A literatura como aliada da saúde mental”, é uma realização do Curso de Letras da Universidade Aberta do Brasil (UAB/Unitins), polo de Paraíso do Tocantins. Integrado à disciplina Projeto Integrador de Práticas Educativas I e sob a coordenação dos professores Marinalva Rego Barros e Carlos Rocha, o projeto contou com a dedicação dos acadêmicos Andréa Luíza Collet, Francisco Ermelindo Faria, Maria Eduarda Silva Araújo e Mike Douglas Dias Santana.
Vivências Literárias e Apoio Institucional
Com o valioso apoio do Comitê de Cultura no Tocantins, o evento proporcionou uma Oficina de Vivências Literárias. Participaram ativamente renomados escritores tocantinenses: Zacarias Martins, escritor, jornalista, membro da Academia Tocantinense de Letras (ATL) e assessor de imprensa da regional sul do Comitê de Cultura; André Goveia, poeta, professor e coordenador do polo indígena da Universidade da Maturidade (UMA) em Tocantínia; e José Benilson, professor e escritor, coordenador do Movimento Negro de Filadélfia.
Doação de Livros Amplia Acervo e Continuidade das Atividades
Ao final das enriquecedoras atividades, os intelectuais promoveram a doação de livros, com o objetivo primordial de estruturar e expandir o acervo do Clube do Livro do CAPS. Essa contribuição garante a continuidade do acesso à leitura para os usuários, fomentando um espaço de aprendizado e bem-estar. A acadêmica Andréa Luíza Collet ressaltou a importância da extensão universitária em aplicar o conhecimento acadêmico em benefício da sociedade, promovendo inclusão social, saúde mental e acolhimento através do poder transformador das palavras.
Biblioterapia: Uma Ferramenta Terapêutica e Humanizadora
A iniciativa aplicou a biblioterapia, prática que utiliza a leitura como ferramenta terapêutica complementar no tratamento psíquico. O objetivo é incentivar o engajamento dos usuários e humanizar o ambiente de cuidado. O escritor Zacarias Martins destacou o impacto profundo do contato com as obras literárias:
“A biblioterapia é uma prática de cuidado complementar de grande valor nos Centros de Atenção Psicossocial, pois utiliza os livros e as rodas de conversa literária para promover a expressão emocional, a socialização e a reabilitação psicossocial dos pacientes. Ao se deparar com personagens ou situações parecidas com as suas próprias vivências, o indivíduo sente-se compreendido e menos isolado, o que favorece o alívio emocional.”
Fortalecimento de Vínculos e Resgate Social pela Leitura
O escritor complementou, enfatizando o papel das rodas de leitura: “Essas rodas de leitura compartilhada criam um ambiente seguro de escuta, troca de experiências e fortalecimento de vínculos entre os usuários, os profissionais e a comunidade. É, acima de tudo, um resgate da cidadania e da inclusão, funcionando como uma ponte de acesso à cultura, à educação e ao conhecimento fora dos padrões tradicionais, humanizando o espaço do CAPS.”
Poesia e Literatura como Remédio para a Alma
O poeta André Goveia compartilhou sua visão sobre a capacidade regeneradora da poesia: “A poesia e a literatura têm o poder de alcançar lugares na alma que a medicina tradicional às vezes não toca. Ver o brilho nos olhos dos usuários do CAPS ao ouvirem e recitarem versos reforça que a arte é um remédio vital. O papel do escritor vai além dos livros; nosso dever é usar a palavra como um abraço e uma ferramenta de emancipação social e mental.”
Identidade, Voz e o Processo de Cura Através da Leitura
Em sintonia, o escritor José Benilson sublinhou a relevância da leitura na reconstrução da identidade e autoestima dos participantes. Para Benilson, introduzir a literatura no ambiente do CAPS é um ato de valorização de cada indivíduo ali presente.
“A leitura abre janelas para o mundo e portas para o autoconhecimento. Quando proporcionamos esse contato com as histórias e com a nossa própria ancestralidade cultural, estamos devolvendo a essas pessoas a voz e o direito de sonhar, fundamentais para qualquer processo de cura.”





